Resenha: Laura Pausini – Fatti Sentire

Laura Pausini

Em 16 de março de 2018, a cantora italiana Laura Pausini lançou seu mais recente álbum, “Fatti Sentire”. O décimo terceiro disco da cantora chegou em um período do ano pouco usual, visto que grande parte dos lançamentos dela deu-se nos últimos meses dos anos em que vieram ao público, mas trazendo muito da musicalidade e das temáticas que marcam sua obra. Além disso, o novo trabalho de Laura traz seu encarte mais simples desde “Laura Pausini” (1993), contendo, em seu interior, a única foto em que vemos o rosto da cantora além da foto da capa, como podem ver nesse post do Encartes Pop. Mas vamos ao track by track…

Non È Detto: Primeiro single do álbum, NED é uma bela e sentimental balada sobre as coisas que não foram ditas, um pedido de perdão por não ter dito o que era preciso. Não é a primeira vez que Laura inicia uma era de trabalho com uma balada e, certamente, não será a última, o que para ela, funciona muitíssimo bem, considerando que La Solitudine (1993), Incancellabile (1996), Invece No (2008) e Lato Destro del Cuore (2015) tiveram grande êxito quando lançadas. Além disso, NED é mais um exemplo de como Laura se sai bem com canções que começam tranquilas e surpreendem ao explodirem no refrão.

Novo [feat. Simone e Simaria]: Eis aqui um esforço homérico para conquistar públicos que normalmente não escutariam Laura Pausini… Completamente destoante do resto do álbum, a versão original da música, cantada apenas por Laura e em espanhol já soa bastante estranha, consegue soar mais estranha em português, beirando a vergonha alheia. Infelizmente, por conta da participação da dupla brasileira, “Novo” foi o segundo single extraído de FS para o Brasil. Uma pena, pois a canção soa como mais uma do pop latino genérico a la “Despacito” ou gravações de cantoras como Anita, ou seja, desnecessária.

La Soluzione: Aqui repete-se a fórmula de canção emotiva e com arranjo delicado que pouco a pouco cresce e intensifica-se. E essa repetição é feliz, visto que soa como uma sequencia natural para Non È Deto (se pularmos Novo) e traz uma bela e apaixonada. A introdução soa-me como alguma música que conheço, mas não consegui identificar qual. Lembra ligeiramente a balada “200 Note”, presente em “Simili” (2015).

E.STA.A.TE: Tudo o que “Innamoratta“, do álbum “Simili” (2015), não foi. Faixa enérgica que busca soar conforme tendências atuais do pop, mas que nem por isso soa “vergonha alheia”. Sem dúvidas a música mais good vibes do álbum.

Frasi à Metà:  A sonoridade de FAM surpreendeu-me positivamente. O arranjo é mais pop/rock que o habitual na obra de Laura e o refrão explode de uma maneira que nunca a havia visto fazer e, sem dúvidas, de uma maneira bastante desafiadora no que diz respeito à voz. Isso, a propósito, me deixa MUITO curiosa para saber se ela irá mudar o tom nesse trecho ou não nos shows a fim de torná-lo vocalmente mais confortável. Uma música forte tanto na letra como no arranjo e na maneira como é cantada, contrastando explicitamente com a calmaria/animação das faixas que a antecedem. Segundo single lançado na Itália, o videoclipe tem uma estética bem rock e apropriada para a música; só não consegui entender qual o sentido da moça de cabeça raspada, mas divago…

Le Due Finestre: Mais uma canção no estilo de NED e LS, dessa vez tratando de como mesmo em um momento mais triste e isolado, tudo o que às vezes precisamos é que quem amamos esteja presente para nos escutar e abraçar, meramente fazer-se presente.

Fantastico (Fai Quello Che Sei): Aqui o paralelo a ser feito é com E.STA.A.TE. Enérgica e com uma mensagem positiva  sobre fazer aquilo que se considera correto ainda que no final você cometa um erro, sobre arriscar e se empenhar por concretizar sonhos. Uma curiosidade aqui é que em 2007 a cantor lançou um livro com o nome “Fai quelo che sei. Io Canto”, no qual conta sobre a preparação para o histórico show que fez naquele ano em San Siro, um dos principais palcos da Italia, no qual se apresentou pela primeira vez com a turnê do álbum “Io Canto” (2006).

No River is Wilder: Única faixa integralmente em inglês do álbum, é uma boa canção de amor, porém genérica, sem nenhum apelo especial. Ainda assim, imagino que a canção será single no mercado americano, onde Laura lançou o excelente “From the Inside” em 2001. Infelizmente, esse álbum falhou em ter o êxito esperado, apesar de contar com canções excepcionais como “Surrender” e “Every Little Thing You Do“. Assim, não acredito que será NRIW a conseguir tal sucesso que Laura parece tanto almejar.

L’Ultima Cosa Che Ti Devo: A introdução me remete a alguma canção que não consigo nomear, assim como vários trechos do arranjo. Arranjo este que é excelente, assim como a letra da música e com Laura a canta. Acredito que um excelente videoclipe poderia ser gravado a partir da música, visto que esta traz uma narrativa bastante interessante.

Un Progetto Di Vita in Comune: A sonoridade de cara me lembrou de outras três músicas – “A Little Too Late”, Delta Goodrem (2004); “Il Mio Benficio“, Laura Pausini (2008); “Come Vivi Senza Me“, Laura Pausini (2011). E não acho isso ruim. Mais que isso, UPDVIC traz uma mensagem interessante sobre como vale à pena encarar as dúvidas e os medos quando existe um projeto de vida em comum. A música foi lançada como faixa promocional duas semanas antes do lançamento do álbum, então imagino que pode vir a ser um single.

Il Caso È Chiuso: Embora não seja uma canção ruim, não se destaca diante as demais. Mais uma faixa de arranjo pop rock com excelentes vocais.

Zona D’Ombra: Voz off, arranjo mais eletrônico. Ainda que sonoramente agradável, até mesmo os vocais são bastante simples, não tendo exigido grande esforço da cantora.

Francesca (Piccola Aliena): Música que Laura compôs em homenagem à filha falecida de uma prima. A criança sofria de uma rara doença congênita e não resistiu. A curiosidade sobre essa faixa é que, inicialmente, a música não seria conhecida pelo público, mas a mãe da menina pediu que fosse incluída no próximo álbum da cantora. Uma bela homenagem, sem dúvidas.

Il Coraggio di Andare: Um arranjo que inicialmente soa etéreo, uma mensagem que me remete a “Strada Facendo“, sucesso de Claudio Baglioni que Laura regravou em 2006. Um incentivo a sempre seguir adiante, a não se importar com o que outros possam dizer. Tudo isso com um arranjo elaborado e vocais excepcionais. Não deve tornar-se single, mas é um excelente modo de concluir o álbum.

Fatti Sentire é um álbum com sonoridade similar a dos excelentes “Primavera in Anticipo” (2008) e “Inédito” (2011), porém com músicas bem menos marcantes/cativantes. Pode-se dizer ainda que o álbum é bastante coeso quanto a sua proposta temática, visto que a maioria das faixas remete a diálogos, a escutar e fazer-se escutar (“fatti sentire” significa algo como “faça-se ouvir” em italiano). Por outro lado, embora eu tenha gostado mais da sonoridade predominante neste que da de “Simili” (2015), considero que FS será um trabalho menos relevante na carreira de Laura que o anterior, visto que, conforme já mencionado, o trabalho atual carece de músicas memoráveis. 8,5/10.

Favoritas: Frasi a Metà; Un Progetto di Vita In Comune; Il Coraggio Di Andare.
Desnecessárias: Novo; Il Caso à Chiuso, Zona D’Ombra

Economista & Escritora. 25 anos, apaixonada por ficção, música, política e coisas fofas. Aqui vocês terão resenhas e, principalmente, textos ficcionais escritos por esta que vos “fala”.

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