Resenha: “Água para Elefantes”

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Eis um livro que só terminei de ler muuuuito tempo após começá-lo… Li os primeiros capítulos em dezembro, mas foi apenas em junho que concluí a leitura, em meio de uma das cansativas e aparentemente intermináveis aulas teóricas as quais nos obriga o Detran caso queiramos ter o direito de dirigir…

A história é sobre um velho Jacob Jankowski que, morando em uma casa de repouso após a morte da esposa, relembra a parte de sua juventude que nunca contou a ninguém: o período em que trabalhou em um circo, no qual chegou por acaso após abandonar a faculdade de Medicina Veterinária nas diante a notícia de que seus pais haviam morrido em um acidente de carro.

Admitido para cuidar dos animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al, o empresário tirano do circo, e de August, o ora encantador, ora intratável chefe do setor dos animais. É também sob as lonas dos Irmãos Benzini que Jacob vai se apaixonar duas vezes: primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August, e depois por Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que deveria ser a salvação do circo.

O começo da história, com Jacob no asilo, lembrou-me bastante a segunda parte de “Diário de uma Paixão”, de Nicholas Sparks, quando Noah e Allie vivem em um asilo, porém Jacob é um senhor bem mais espirituoso em suas ações! Já o jovem Jacob, a princípio, me deixa profundamente angustiada, pois detesto a idéia de que alguém brilhante e vocacionado tenha abandonado a carreira com que sonhava para vagar por aí e sobretudo para acabar tendo uma vida miserável como passageiro clandestino em um dos vagões de um circo ordinário (embora tio Al o considerasse o maior espetáculo da terra).

Parte da minha vagarosidade em prosseguir a leitura deveu-se à abordagem esquerdista da relação entre os diferentes funcionários do circo, uma visão luta de classes, algo maniqueísta da forma como a autora retratou os “trabalhadores braçais” (bonzinhos, oprimidos) e os “artistas” (egoístas, opressores), o que, como liberal que sou, incomodou-me bastante. Felizmente, porém, consegui superar este obstáculo dizendo para mim mesma que fazia sentido que os personagens vissem o mundo daquela forma no contexto histórico pós Revolução Russa em que os massacres promovidos por comunistas e o fracasso econômico decorrente de tal ideologia ainda não haviam sido revelados ao mundo.

Mas esse foi o único ponto que me desagradou na história, que é bastante bem estruturada, coerente e coesa. SPOILERS A PARTIR DAQUI! É lindo testemunhar o nascimento do amor entre Jacob e Marlena; é assustador acompanhar os surtos de August; é impossível não se comover quando, doente, Silver Star é sacrificado e como Marlena sente a morte do cavalo ao qual era mais apegado e como se revolta o avarento tio Al por perder uma de suas principais atrações. Ainda assim, nada é tão emocionante quanto a interação da elefanta Rosie com as demais personagens da trama: como ela parece estúpida por não obedecer aos comandos de August quando ela não os obedece porque só entende comandos em polonês; como August a pune covardemente pelo acidente de Marlena; como Rosie é capaz de encantar ao público e tratá-lo bem apesar do açoite; como ela instintivamente põe fim ao seu carrasco durante o estouro (e o recurso de narrativa utilizado aqui pela autora e a relação deste com o prólogo é simplesmente magistral!); enfim, como ela permeia e permite a concretização da bela história de amor idealizada por Sara Gruen neste notável romance.

O livro sem dúvidas superou muito minhas expectativas iniciais e ouso recomendá-lo a todos que gostam de amores complicados contudo intensos, descrições bem feitas e da magia que evoca o ambiente circense. E sim, eu verti uma ou duas lágrimas quando me dei conta de que o Kinko… Bem, melhor não comentar! Chega de spoilers! Leiam! Hehehe

Nota: 9.5

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Thais Gualberto

Economista & Escritora. 25 anos, apaixonada por ficção, música, política e coisas fofas. Aqui vocês terão resenhas e, principalmente, textos ficcionais escritos por esta que vos “fala”.

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