Resenha: Paramore – After Laughter

“After Laugther”, quinto álbum de estúdio da banda americana Paramore, foi lançado em maio de 2017 e marca o retorno de Zac Farro como baterista oficial da banda. Com uma sonoridade pop e oitentista e clipes esfuziantemente coloridos, a proposta da era soa bastante distinta daquilo que já vimos a banda fazer, mas ainda assim nos traz mais um excelente trabalho de Hayley Williams e cia. Disponível no spotify, recomendo escutarem por lá enquanto leêm o que achei do álbum. O encarte do álbum é bastante simples, contendo apenas as letras das músicas e nenhuma foto dos integrantes da banda, sendo amarelo, lilás e rosa claro os tons predominantes, havendo duas páginas pretas com escritos em rosa e branco.

ParamoreHard Times: Provavelmente a mais oitentista da tracklist, “Hard Times” é divertida, cativante, grudenta e ainda conta com um clipe maravilhoso e que rendeu excelentes gifs. Muito diferente da maior parte do catálogo da banda, conquistou-me imediatamente, o tipo de música que me faz cantarolar o refrão desde a primeira audição, mas, certamente, deve ter enfurecido boa parte dos fãs “raiz” da banda, acostumados com um som mais pesado e revoltoso. Anyway, considero uma excelente escolha para primeiro single.

Rose-Collored Boy: A segunda faixa do álbum é mais uma que transporta o ouvinte aos anos 80, a um clima quase “Sessão da Tarde”. Dá até para imaginar Hayley Williams novamente com cabelos coloridos (atualmente, ela está loira) e indumentária e trejeitos dignos dos que Cyndi Lauper apresentava na década do exagero. Apesar da composição mostrar uma sutil crítica aos exageradamente otimistas, a sonoridade aqui é tão alegre e contagiante quanto a de “Hard Times”.

Paramore Told You So: “Eu disse…” que esse era um álbum bastante oitentista e a terceira faixa e segundo single lançado segue nessa linha. Aqui temos mais uma boa música e um excelente videoclipe, com a vocalista usando um batom vermelho lindo em algumas das cenas (como a imagem em destaque nesse post). Gosto como o timbre de Hayley soa mais grave nesta canção que nas faixas anteriores.

Forgiveness: A atmosfera “Sessão da Tarde” persiste aqui, lembrando-me até mesmo de algumas coisas da trilha sonora da série “Stranger Things”. Mas a associação imediata que fiz ao escutar “Forgiveness” pela primeira vez foi com “Everybody Wants to Rule the World“, do Tears for Fears. E eu adoro isso.

Fake Happy: Voice-off, produção stripped. Hayley Williams soa suave e intensa na introdução da quinta faixa de “After Laughter”, mas logo surge o arranjo 80’s pop e um explosivo refrão sobre aparentar felicidade mesmo quando não se está feliz e como todos já passamos por isso. Uma excelente letra e uma enérgica melodia sobre frustração.

26: Mais um início meio unplugged, com voz, violão e um eco sutil.  Possivelmente temos aqui os melhores vocais de todo o álbum, ao menos, é onde esses mais se destacam, dada a maior suavidade da melodia, mantida mesmo quando outros instrumentos somam-se ao violão. Uma bela composição sobre a importância de sonhar mesmo que a realidade parta seu coração.

Pool: Sininhos? A introdução remete-me à mensagem que anuncia “Chamada a cobrar…” ao atendermos um telefonema, mas logo guitarra e bateria fazem-se presentes na mais apaixonada canção do álbum. E eu aqui, imaginando uma festa à beira de uma piscina como pano de fundo para um possível videoclipe para a música (afinal, o título não é nada sugestivos), no melhor estilo festa na piscina de séries como “Sabrina, Aprendiz de Feiticeira” ou do videoclipe de “Imitation of Life“, do REM.

Grudges: Conta a história da amizade de Hayley Williams e Zac Farro até a saída dele da banda, clamando basicamente que não vale à pena se perguntar sobre o tempo em que se mantiveram afastado, mas que sim importa o presente em que outra vez estão próximos – uma letra com a qual todos nos identificamos em algum momento da vida e em relação a algumas pessoas. Inclusive, Zac faz backing vocals na música.

Caught in the Middle: Uma canção sobre envelhecer e sobre o processo é, muitas vezes, confuso e atordoante, olhe-se para frente ou para trás. Ainda assim, passa a mensagem de maneira bem-humorada, sobretudo no animado refrão.

Idle Worship: É bastante interessante e peculiar como mesmo as canções mais pessimistas são cheias de energia e cativantes. Talvez seja a sonoridade adotada, talvez os vocais e criatividade ao compor de Hayley Williams ou mesmo a combinação disso tudo, o que é mais provável. OH LA LA LA LA LA LA…

No Friend: A música mais “pesada” de todo o álbum, com uma sonoridade inquieta e destoante das demais da obra, “No Friend” é a que mais “conversa” com os álbuns anteriores da banda e, apesar da inquietude melódica, agrada. A letra é meramente murmurada por uma voz masculina (Hayley não se faz vocalmente presente em nenhum momento, embora assine a faixa, junto com Taylor York e Aaron Weiss), quase como se fosse ela a embalar a melodia, e não o contrário. Então  a letra começa a ser entoada em um estilo meio pregação, meio palavra de ordem de protesto de militantes de esquerda e é realmente isso o que a canção parece ser quando analisamos a letra: um protesto político por meio de complexas metáforas. Particularmente, não aprecio esse tipo de politização da música, não por expressarem posições distintas das minhas, na maior parte das vezes, mas porque amo música como entretenimento e detesto vê-la politizada. De todo jeito, gosto muito do arranjo da faixa e adoraria uma versão puramente instrumental dela.

Tell Me How: Iniciada com fortes notas ao piano, traz os incríveis vocais de Hayley mais uma vez em destaque e como um calmo alento após a raivosa “No Friend”. Diz-se que a música foi composta como desabafo sobre as baixas que a banda sofreu ao longo dos mais de dez anos de existência, sobretudo sobre a saída do antigo baixista e fundador Jeremy Davis. A segunda metade da música parece contar com o pulsar de um coração ao fundo e o piano volta intenso ao final da música, que também marca o fim do álbum.

ParamoreApesar da sonoridade predominantemente alegre, “After Laughter” é um álbum com letras bastante maduras e repletas de metáforas habilmente construídas. Além disso, o trabalho reflete a segurança e coragem dos membros da banda, uma vez que experimentam um estilo bastante diverso do que predominou nos trabalhos anteriores, algo similar ao último trabalho do Linkin Park, “One More Light”, também lançado este ano. Embora “Paramore”, de 2013, continue sendo meu álbum favorito da banda, “After Laughter” é um trabalho igualmente excelente e coeso, ademais de ser mais uma demonstração das qualidades de Hayley Williams como vocalista e compositora. É um 9/10 recomendadíssimo, mesmo para os que preferiam a sonoridade anterior da banda.

Favoritas: Rose-Colored Boy, Forgiveness, Pool

Desnecessárias: No Friend, Idle Worship

Economista & Escritora. 25 anos, apaixonada por ficção, música, política e coisas fofas. Aqui vocês terão resenhas e, principalmente, textos ficcionais escritos por esta que vos “fala”.

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3 thoughts on “Resenha: Paramore – After Laughter

  1. Thais do céu eu não sabia que tinha novo álbum do Paramore gente, como assim? a vocalista tá platinada? genteeee eu tava acostumada com ela ruiva hahahaaa
    Amei demais sua resenha ficou muito boa mesmo e cara, amei as musicas né, amo Paramore e a voz dela em qualquer tipo de musica a gente reconhece fácil.
    Amei os clipes, amei tudo aaa que saudade dessa banda, que bom, tomara que eles venham fazer show aqui no Brasil…mas só esperem eu ficar rica hahahaaaaa
    Bjs e, ameeeeeeei




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