Resenha: “We Were Liars”

WeWereLiars__140612011956-575x883“We Were Liars” (intitulado “Mentirosos” aqui na edição brasileira), de E. Lockhart, foi o primeiro livro de ficção que li em Inglês e é fundamentalmente uma história de suspense que gira em torno do misterioso acidente que Cadence Sinclair sofreu no verão #15, quando passava férias na ilha particular de sua família junto com seus primos. Nos dois anos seguintes ao acidente, Cadence sofre de amnésia, depressão e dores de cabeça excruciantes e toda vez que pergunta a familiares o que aconteceu, eles parecem fugir do tema. Isso até que no verão #17 a garota volta à ilha para tentar lembrar o que aconteceu entre ela e os “Liars”, nome que ela, seus primos Mirren e Johnny e Gat, um amigo de Johnny, atribuíam-se enquanto grupo.

A escrita de Lockhart muitas vezes é confusa, visto que se utiliza bastante de frases incompletas como recurso de construção do narrador-personagem, que é a própria Cadence, o que me parece bastante coerente com o emocional/personalidade da protagonista. Além disso, Cadence não tem um raciocínio linear, muito pelo contrário, de modo que presente, passado e fantasia se misturam de maneira bastante complexa ao longo da história Ainda assim, esse é um livro cuja expectativa do leitor inevitavelmente aumenta a cada página virada, pois é impossível não ter a sensação de que algo muito impressionante acontecerá na página seguinte e até mesmo na linha seguinte.

Particularmente, me irritam bastante as ideias socialistas de Gat, pois não consigo ter a menor paciência com qualquer personagem cuja história seja ambientada dos anos 50 em diante ser simpático a tais ideias. Soa tão ridículo ele tratar a riqueza de uma família como causa da pobreza de outras tantas… Economia não é um jogo de soma zero e ver essa ideia propagada, ainda que na ficção é bastante irritante para uma economista que se identifica com as escolas austríaca e monetarista do pensamento econômico. E a maneira como Cadence mostra-se influenciável é outro ponto bastante incômodo. Não gosto de pessoas influenciáveis, prefiro as que têm personalidade.

Mas independentemente de tudo isso, eu gostei muito de ler essa história pelo simples fato de que ela é intrigante. Em todos os momentos é impossível predizer com exatidão o que está por acontecer, o que está por ser revelado. Mais que isso: o encerramento, impreciso e tão misterioso e dúbio quanto a história como um todo, é propenso a diversas teorias conspiratórias a respeito das personagens e mesmo dos fatos narrados; definitivamente, é um livro que te faz pensar sobre os fatos da própria história. Terá sido realmente daquela maneira? Seriam de fato aqueles os atores em cena? Qual seria a verdade? Não serei eu a dizer! Leiam e descubram.

Nota: 9.5

Thaís Gualberto

Economista & Escritora. 25 anos, apaixonada por ficção, música, política e coisas fofas. Aqui vocês terão resenhas e, principalmente, textos ficcionais escritos por esta que vos “fala”.

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