_ O que fez foi ilegal e deveria cumprir integralmente a pena aplicada pelo crime que cometeu… – afirmou María Elena, com as feições pouco amigáveis. – Tenho verdadeiro pânico de defender a criminosos e isso faz parte de meu caráter e de minha excelente imagem como criminalista… Assim sendo, que fique claro que não me agrada defendê-la. Você foi presa em flagrante após furtar cinco peças de vestuário feminino em uma conhecida loja destinada à elite moradora e frequentadora da região. É vergonhoso saber que uma jovem bela e saudável como você tenha optado por um caminho tão vexatório e deprimente, em vez de buscar um trabalho, uma formação que lhe permitisse ascender socialmente por mérito. Afinal, ninguém furta roupas de valor tão elevado para sobreviver… – argumentou, de modo brilhante e incontestável, com os olhos flamejantes de desprezo pela atitude de Maribel. – E não me venha com as típicas escusas esquerdo-rousseaunianas de que o homem é bom por natureza e a malvada sociedade capitalista o corrompe ao privá-lo do acesso a bens de consumo, estimulando assim a inveja e levando-lhe a agir impensadamente apenas porque queria ter um vestido caro ao qual “deveria” ter “direito”… Sempre fui uma liberal convicta, vitimismo de nenhum tipo funciona comigo! O indivíduo é que tem de ser responsabilizado por seus atos, não a abstrata sociedade… Claro que o meio pode influenciar, mas a decisão final é sempre do indivíduo… Bem como a responsabilidade… E crimes… Crimes têm de ser punidos… Rigorosamente… – expôs, enfaticamente, sílaba por sílaba e com os olhos semicerrados e brilhando furiosos ” – María Elena Ríos, a diva da lei, criminalista e psicóloga forense, sobre roubos, furtos e assaltos.
Trecho presente no capítulo 8 de “Centelha”, por Thaís Gualberto.
Amostra 1 de “Centelha” aqui.
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Economista & Escritora. Apaixonada por ficção, música, política e coisas fofas. Aqui vocês terão resenhas e, principalmente, textos ficcionais escritos por esta que vos “fala”.