Resenha: “Garota Exemplar”

Capa original do livro, pois geralmente não gosto de capas com cenas do filme
Capa original do livro, pois geralmente não gosto de capas com cenas do filme

A primeira vez que ouvi falar de “Garota Exemplar” foi ao ler uma matéria na revista Veja a respeito do filme baseado no livro homônimo. De imediato me interessei pela narrativa, pois amo um bom mistério, mas acabei não vendo o filme nos cinemas (nem mesmo em casa) e somente em maio deste ano enfim li o thriller de Gillian Flynn.

O suspense se inicia quando, na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do rio Mississippi. Diante o cenário de luta na casa, imediatamente imagina-se um crime violento, um sequestro violento cujo principal suspeito é o próprio Nick Dunne. “Sob pressão da polícia, da mídia e dos ferozmente amorosos pais de Amy, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamento inapropriado. Ele é evasivo e amargo — mas seria um assassino? Ao mesmo tempo, passagens do diário de Amy revelam um casamento tumultuado — mas ela estaria contando toda a história?

E é simplesmente impossível não se sentir capturado por esse suspense, que permanece elevadíssimo até o dúbio desfecho da obra. A estrutura em capítulos alternando o cotidiano de Nick com o diário de Amy não só é algo extremamente dinâmico como também te compele fortemente a virar as páginas de maneira compulsiva. Gillian Flynn inegavelmente construiu uma narrativa (mais especificamente um suspense psicológico) extremamente sedutora e, por que não, bem construída, visto que todos os elementos da intricada trama coordenam-se muito bem entre eles.

A propósito, é bastante difícil comentar esse livro sem dar spoilers, pois são tantas e tão grandes as reviravoltas e tão intensas as reações das personagens que é quase incontrolável o ímpeto de sair comentando cada detalhe. Sem ser muito específica e sem dizer os porquês (pois isso é algo que é preciso ler para conferir, concordar ou discordar), posso dizer que senti um certo nojinho da Amy desde o começo e que sempre acreditei na inocência do Nick, pois na infância eu convivi com alguém que hoje eu percebo que era bem Amy em suas atitudes e eu nunca tive simpatia por essa pessoa… E digo mais: é o livro mais psiquiátrico que eu já lia e olha que os romances da Tess Gerritsen também são bastante intensos do ponto de vista psicológico. Sim, eu nunca havia lido personagens tão psicopatas como dois dos personagens de “Garota Exemplar” e tão inteligente como uma dessas duas personagens. confesso que fiquei assustada em algumas passagens, pois Gillian Flynn conseguiu imprimir bastante verdade no discurso de suas personagens e às vezes é chocante ter uma dimensão tão nítida do quão maleficamente engenhosa pode ser a mente humana.

Só não dei nota dez para essa incrível história porque o desfecho me irritou em um aspecto: a justiça não foi feita, calou-se a respeito de vários crimes e o grande gênio do mal do livro ficou impune. E isso me deu muita raiva, muito ódio porque uma pessoa de tal nível de periculosidade e psicopatia não pode ficar solta por aí… E, ao menos para mim, é bastante revoltante ver que alguém consegue manipular tão bem a tudo e todos a seu redor… Enfim… Eu sei que isso também acontece na vida real, mas, enfim… Não consigo não esperar por justiça quando se trata de homicídios e armações da proporção das narradas em “Garota Exemplar”.

Nota: 9.0

Thaís Gualberto

Economista & Escritora. 25 anos, apaixonada por ficção, música, política e coisas fofas. Aqui vocês terão resenhas e, principalmente, textos ficcionais escritos por esta que vos “fala”.

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7 thoughts on “Resenha: “Garota Exemplar”

  1. Li o livro antes do filme, e ambos me deixaram muito assustada e ansiosa. Sobre o final, acho que seria muito interessante se a Gillian fizesse uma continuação, né? Também fiquei frustrada no final!




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    • Sou ansiosa, mas acho que fiquei mais apreensiva que ansiosa durante a leitura. Não sei se gostaria de uma continuação por um único motivo: são muitas as continuações que acabam estragando a história como um todo quando a história não é planejada desde o início para ser uma série…




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